Dados coletados são finitos em si próprios, só possuem significados à medida que são capazes de gerar informações para o processo de decisão, com finalidade de melhoria contínua da qualidade. As informações nos processos de saúde, por sua vez, só agregam valores à medida que se transformam em forças mobilizadoras, capazes de provocar co-análises e co-decisões em grupos que mesmo com diferentes saberes e diferentes características se envolvem em um único objetivo de realização e progresso, fomentando autonomia e protagonismo de coletivos.
Desta maneira o trabalho pautado em medidas de avaliação ou indicadores que monitoram a qualidade em saúde tem sido cada vez mais exigido, quer por fontes pagadoras como pelos órgãos acreditadores nacionais e internacionais, impondo-se como uma real necessidade para os profissionais em saúde que se inquietam diante dos novos desafios de realizar um trabalho pautado na realidade local, mas com possibilidades factíveis de intervenções e mudanças.
Um passo fundamental para avaliação dos indicadores é o estabelecimento de parâmetros técnico-científicos, por meio de padrões de desempenho que definirão se os objetivos foram ou não alcançados. Tais padrões devem estar estabelecidos desde o início da avaliação e podem ser alicerçados através da análise da série histórica do indicador ou pela adoção do valor do indicador para outras populações ou para o estado ou país ou através de mecanismos de consenso.
Dados numéricos, muitas vezes, são coletados de forma sistemática, mas para que possam ser transformados em informações, devem ser analisados a luz dos parâmetros estabelecidos para que possibilitem uma comparação (benchmarking) interna ou externa, com a finalidade de proporcionarem um julgamento de valor que apóie uma ação efetiva.
A transformação dos dados coletados sistematicamente em indicadores, monitorados ao longo do tempo, é essencial para a construção do benchmarking, interno ou externo, com suas variações e medianas. Estes indicadores comuns a todos que participam do processo estabelecem comportamentos para a ocorrência de determinados eventos de interesse que viabilizam ações que permitem o estabelecimento de melhorias da qualidade dos processos.
No benchmarking, dados são coletados e comparados em uma grande variedade de atividades com o objetivo de se alcançar o ideal. Quando uma "melhor prática" é evidenciada pode ser empregada pelas organizações ou setores participantes, que assim avaliam e aprimoram seus processos.
Na área da saúde esta é uma prática cada vez mais usada à medida que possibilita melhorias na qualidade da assistência prestada. Mas é necessária a formatação deste processo com a finalidade de otimizá-lo, assim o benchmarking requer a participação de equipe de saúde multidisciplinar, priorizando a prática que será avaliada. Esta avaliação deve refletir a pratica em questão, com análise dos fatores de risco ou desencadeantes, comparando, dividindo conhecimentos, identificando falhas e problemas, considerando como melhorá-la por meio de formulação de ações, implementação de mudanças, promoção e disseminação dos progressos e resultados.
O processo de benchmarking vem sendo usado por organizações internacionais, com a finalidade de estabelecer metas globais em saúde. A Organization for Economic Cooperation and Developement (OECD) foi pioneira ao estabelecer uma comparação internacional do sistema de cuidados em saúde em 1980 e em 1985 publicou "Measuring Health Care, 1960-1983, expenditure, costs and performance". Em 1984 a Organização Mundial de Saúde (ONU) trouxe uma nova perspectiva com a adoção de 38 metas em saúde, "Health for All (HFA) by the year 2000", com 200 indicadores. Vários países se uniram para desenvolver indicadores em saúde, como por exemplo erro de medicação, principalmente com ênfase em segurança e qualidade, surgindo organizações como no Reino Unido a National Health Service (NHS), com propostas de indicadores clínicos e avaliações em saúde.
A Joint Commission on Acreditation of Health Care Organizations (JCAHO) em 1990 definiu que indicadores de benchmarking em saúde são "instrumentos de medidas usados para monitorar e avaliar a importância das funções de governancia, gestão, clinica e suporte". Wait e Nolte propõem uma categorização para estes indicadores de acordo com: nível de comparação; foco da medida; nível da avaliação e uso dos dados.
É notória que as escolhas dos indicadores para o monitoramento das práticas em saúde deve preceder uma avaliação cuidadosa quanto aos critérios e a validade destes, por meio de parâmetros técnico-científicos, que viabilizarão uma real avaliação, incluindo medidas de intervenção.
Neste contexto também é notória a necessidade do uso das ferramentas da qualidade que permitam avaliar, planejar, agir e acompanhar, para tal é fundamental o preparo do enfermeiro que deve participar ativamente deste processo.
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